Do Cambuí ao Centro, passando por Sousas, Barão Geraldo e Joaquim Egídio: cafeterias especiais, padarias, uma livraria com café e um jardim de plantas com espresso. Endereço, telefone, horário e o que pedir em cada uma.
Meu nome é Thiago, sou morador de Campinas e, confesso, um apaixonado incurável por café. Nos fins de semana você provavelmente vai me encontrar experimentando um V60 novo em casa ou caminhando até alguma cafeteria escondida numa rua do Cambuí.
Poucas cidades brasileiras carregam uma relação com o café tão profunda quanto Campinas. Fomos, no século XIX, um dos grandes polos da cafeicultura paulista, as fazendas que cercavam a região abasteceram a economia do país inteiro e, de quebra, deixaram um legado que ainda hoje se sente nas ruas, nos casarões do Centro, nas estações ferroviárias que nasceram para escoar sacas de café, na própria identidade da cidade. Campinas não bebe café por acaso, ela foi, literalmente, construída em cima dele.
E tem um detalhe dessa história que carrego com um orgulho meio particular, vive quando criança a uma quadra do Instituto Agronômico de Campinas, criado em 1887 a pedido dos próprios produtores da região. É do IAC, e não de nenhuma fazenda distante, que sai boa parte do café que o Brasil planta até hoje. O Instituto já desenvolveu mais de 90 cultivares de café arábica, e duas delas praticamente definiram a cafeicultura nacional: a Mundo Novo e a Catuaí, que juntas representam cerca de 90% dos cafeeiros arábicas cultivados no país. O Catuaí, inclusive, nasceu de um cruzamento entre Mundo Novo e Caturra Amarelo dentro do próprio IAC, e seu nome, de origem tupi-guarani, significa simplesmente "muito bom". Saber que a planta por trás de boa parte dos cafés que bebo pelo mundo foi desenhada geneticamente a poucos metros de onde eu vivo é o tipo de coincidência que só reforça essa paixão.
A cidade que um dia exportou grãos e criou variedades hoje é referência em torrar, preparar e servir café de um jeito quase artesanal. Basta caminhar pelo Cambuí, por Nova Campinas, pelo entorno do Taquaral ou pelos vilarejos de Sousas e Joaquim Egídio para esbarrar numa cena de cafeterias impressionante, torrefações próprias, métodos como V60, prensa francesa e aeropress virando rotina, padarias artesanais reinventando o pão de queijo, e gente jovem abrindo espaços pequenos e cheios de personalidade, cada um com sua própria história pra contar.
Foi explorando essa cena, xícara a xícara, que resolvi catalogar minhas descobertas, e elas não param de crescer. A cada semana aparece uma cafeteria nova, um torrefador diferente, um cantinho que eu ainda não tinha visitado. Parece que nunca vamos esgotar os lugares bons para tomar um café por aqui.
Se você também gosta de café, saiba que está numa cidade que leva isso a sério, na ciência, na história e na xícara.
— Thiago thiago@adoro.cafe